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Data: Sábado , 02 de Outubro de 2004
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Fabricação de Violinos

A oficina é bem pequena. Seu Juca tem pouco espaço para trabalhar e mesmo assim fica aqui boa parte do dia. Ele usa ferramentas rústicas e com gestos precisos fabrica violinos. Sem pressa.

“Eu faço o formato da frente dele, recortando com 15cm de grossura. Depois, faço a parte de dentro. Precisa de paciência e atenção no serviço”, ensina seu Juca.

A madeira é escolhida com sabedoria.

“O pinho de riga é a madeira ideal para a frente do violino. Pode fazer o lado e a traseira de marfim ou de cedro. Mas a frente tem que ser de pinho de riga, que dá o som perfeito e resistência na fibra, que agüentam o peso da corda”.

É um mês de trabalho para fazer cada instrumento. Na oficina, o barulho não pára. Mas a única preocupação de seu Juca é com o som que será emitido depois.

“Os meus violinos têm uma coisa: as características internas são todas iguais. Então, o som deles é tudo igual também”, explica.

Seu Juca também já experimentou fazer outros instrumentos.

“Outro dia fiz um cavaquinho, sabe? E fiquei satisfeito de ouvir porque é um som bonito, sadio de ouvir, né? Porque tem instrumento que tem um som melhor, mais refinado”, descreve.

Na oficina de seu Juca, este um dos primeiros violinos que ele fabricou. É este que deu de presente para um dos netos, Lamartine. O nome foi em homenagem a Lamartine Babo. Ou seja, a música esta na alma desta família.

Seu Juca nunca estudou música. Foi de tanto ouvir que aprendeu a tocar.

Lamartine, o neto que ganhou o violino, hoje estuda instrumentos antigos na universidade. Quando está em Itapecerica, acompanha o avô, para orgulho de seu Juca.

“Eu acho que a música é vida, porque quem não canta, não tem prazer na vida. Eu acho que a música suaviza a alma”, finaliza seu Juca.